segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
" É estranho como apenas um caminho pode trazer tantas recordações, como apenas uma estrada pode trazer mil sentimentos ao nosso presente. Estou aqui, a passar por esta estrada do meu caminho até casa, já é de noite, a única coisa que ouço é a música que escuto do meu mp3, a única coisa que vejo é o escuro da noite, a única coisa que sinto é o vento a passar, a única coisa que trago na minha cabeça são as milhares de lembranças a passar-me repentinamente, não há forma como apagar algo que foi feito, sentimos por vezes necessidade apenas de recordá-las por terem sido tão verdadeiras. Recuando uns anos para trás, vejo-me pequenino, com sorriso enorme na cara, tinha acabado de sair de casa, ia de skate na mão, não me interessava a forma como estava vestido ou a forma do meu cabelo, não me interessava se caía e me aleijava, não me importava se amanhã tinha aulas ou não, a única coisa que queria era aproveitar cada dia como se amanhã o mundo pudesse terminar, não reparava nas horas de chegar a casa, o meu único problema era saber se amanhã podia acordar para voltar a sair de casa e atravessar o mesmo caminho com o meu amor na minha mão. Os anos passavam, desta vez já passava a mesma estrada com um telemóvel na mão, não sei a quem mandava uma mensagem, não interessava, mas sentia que algo ia mudar a minha vida a partir dali. Já me preocupava o facto de perder as pessoas que mais gostava, já sentia a falta das pessoas que gostava, já sentia saudade a entrar dentro de mim e matar-me aos poucos, começava a sentir as pequenas dores de sentimentos e problemas mal resolvidos. Mais tarde, já tendo a mão de alguém dada à minha de quem mais queria, de quem mais sonhava, as coisas mudam, sentíamos a nossa mão completamente entregue a uma felicidade, a uma felicidade que vem e vai, estranho que por vezes nem sempre o que é verdadeiro permanece ao nosso lado, ainda vejo o cabelo dela a levantar por cada vez que o vento soprava onde ali passávamos de mão dada, vejo o sorriso dela que acaba por fazer dois do meu, bastava um olhar para mudar a luz do meu dia, a cor daquela estrada. Infelizmente, a rotina era tão grande, era tão gasta, a estrada ia cada vez ficando mais velha, com mais buracos e dificilmente alguém os ia arranjar, era como aquelas duas pessoas que ali passavam nessa mesma estrada, amuados por tudo e por nada, cansados de tantas discussões e nem um nem outro tirava o proveito da felicidade que ambos tinham escondida dentro deles. Como disse, "nem sempre o que é verdadeiro permanece ao nosso lado", nem sempre é fácil lidar com aquilo que mais amamos, fazemos transpor um sorriso para esconder as mil vontades de chorar por as coisas estarem erradas. Como diz uma frase, "também é preciso ter coragem para desistir", agora percebo, agora percebo a importância de às vezes termos de desistir daquilo que nem sempre está destinado a durar, por muito que nos custe, tudo está dependente da vontade humana, da força, do sentimento, das palavras, da vida. Agora, agora neste momento, caminho nesta estrada sem nada nas minhas mãos, ainda está escuro, estou quase a entrar dentro de casa e milhares de memórias me passaram na minha cabeça apenas ao caminhar nesta estrada onde já sorri vezes sem conta, onde já aprendi com os meus próprios erros, onde já chorei, onde já caminhei com tudo na minha mão e agora sem nada. Agora percebo porque vemos sempre apenas o mesmo lado da lua todas as noites, falta-nos descobrir o outro lado da nossa vida. "
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