os quando alguém nos empurrava no baloiço, de como era bom ajudar a mãe na cozinha, o pai a lavar o carro, de como gostávamos de ver desenhos animados, de como gostávamos de brincar às mães e aos pais, aos polícias e ladrões. De como sonhávamos em estudar para uma escola grande e de almoçar numa enorme cantina. Por que é que não falamos do medo que tínhamos das histórias de terror que nossos primos mais velhos nos contavam, da felicidade que tínhamos quando encontrava-mos dois tazzos no mesmo pacote de batatas fritas, de como era difícil montar o brinquedo que vinha no Ovo Kinder, das vezes que a professora tinha que sair um pouco da sala e pedia para que nós anotássemos no quadro o nome de quem fizesse asneiras? Por que é que não falamos dessas coisas?''
sábado, 3 de novembro de 2012
''Chega de falar sobre a dor, sobre amores não correspondidos, amores proibidos, sobre coisas que não temos e sentimentos que nos fazem mal. Por que é que não falamos de coisas boas? Por que é que não falamos de quando éramos crianças e fazíamos festas de aniversário com todos os nossos amigos, da alegria ao abrir o saquinho surpresa, de quando ganhávamos exactamente o que pedíamos ao pai Natal ou de quando víamos os nossos pais os beijinhos e abraços e desejávamos ter um amor igual ao deles quando crescêssemos? Por que é que não falamos de como era bom brincar na rua, bater nos meninos do recreio, das notas altas que tirávamos no terceiro ano, de como era bom ir ao supermercado só para comprar algumas guloseimas? Por que é que não pegamos em algumas fotos e revivemos em pensamento o quão bom aqueles momentos foram? Por que é não rimos das roupas que usávamos, das músicas que cantávamos? Por que é não nos lembramos do frio da barriga que sentíam
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